Apresentação
Escrevendo uma nova história
Wilson Andrade – Presidente do Sindifibras
Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais da Bahia
Apesar da importância do sisal para o País, o Brasil ainda é carente de publicações que tratem o assunto de forma abrangente e sistemática. Esperamos, com o lançamento de O Sisal do Brasil, começar a mudar esta história.
Para traçar um panorama geral da atividade sisaleira no Brasil e no mundo, reunimos os principais especialistas nacionais e estrangeiros das mais diversas áreas de atuação. Os co-autores deste livro são verdadeiros conhecedores da planta e de seus processos, tanto na área científica como na político-administrativa. Podemos dizer que o resultado é uma obra de referência não só para quem pela primeira vez trava conhecimento com o tema, mas também para produtores, comerciantes e empresários envolvidos diretamente com esta cultura.
Graças ao apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), lançamos um livro com uma qualidade editorial que ajuda a explorar a riqueza do tema e com informações que reforçam a internacionalização do produto. Todas as empresas fornecedoras integrantes do projeto Sisal-Apex estão aqui listadas e seus contatos disponíveis aos interessados.
Como maior produtor mundial, o Brasil está se estruturando para consolidar a sua posição de líder do mercado. Empreende enorme esforço para elevar a produtividade do cultivo e a qualidade da fibra. O Sisal do Brasil retrata este movimento de crescente demanda e competitividade do produto, inclusive com as pesquisas que estão criando novos usos para os resíduos e a fibra. Neste grande momento do sisal, também o Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais da Bahia (Sindifibras) tem dado a sua contribuição ao articular os setores produtivos, de pesquisa e governamentais em seminários de análise realizados nas regiões produtoras.
O debate converge depois em encontros nacionais e, mais recentemente, internacionais, com o auxílio da Apex, que, ao difundir o sisal nos mercados externos, alimenta o novo ciclo de crescimento da economia do sisal. Agora que o setor sisaleiro encontra-se efetivamente organizado, alguns objetivos foram traçados. Pretendemos elevar a produtividade no campo de 800 para 1.200kg por hectare, melhorar a qualidade da fibra com o retorno da classificação oficial praticada anteriormente, consolidar a utilização da mucilagem como ração animal e adubo, desenvolver tecnologias para utilização da fibra de sisal nas indústrias de termoplásticos, geotecidos e fibracimento.
Precisamos também aperfeiçoar os equipamentos utilizados no desfibramento, no beneficiamento primário e nas indústrias de fios, cordas, mantas e tapetes. Finalmente, queremos mostrar no mercado mundial as vantagens técnicas, econômicas e ambientais do sisal. A criação de um selo de qualidade para os produtos derivados de sisal, outro item do projeto Sisal-Apex, divulgará o produto nacional, garantindo as especificações técnicas, além de certificar boas práticas operacionais quanto aos aspectos sociais e ambientais da cadeia produtiva. Todas essas ações, inteiramente correlacionadas, irão assegurar a sustentabilidade da economia sisaleira no Brasil e contribuirá, de um lado, para elevar a renda e a qualidade de vida de mais de meio milhão de pessoas que dependem do produto; e, de outro, para elevar as condições de competitividade do sisal no mercado mundial.
A realização desta obra se deve ao conjunto de esforços inestimáveis dos companheiros co-autores; do gerente do projeto, Rafael do Prado Ribeiro e dos parceiros, como a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (Ebda), Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Link/BAGG Comunicação e Propaganda Ltda.. Cada um desses parceiros do projeto Sisal-Apex contribuiu com ações em benefício da cadeia produtiva, completando o elo de providências demandadas pelo setor e garantindo investimentos de contrapartida a ser apresentados à Apex.
De uma forma muito especial, agradeço às pessoas que acompanharam meus primeiros passos no mundo do sisal, iniciados em 1963, no Grupo Coelho. Elas me ensinaram a valorizar a atividade e sempre acreditar no seu potencial. Entre esses companheiros do passado, visionários do futuro da fibra mesmo nos momentos de crise, lembro com saudade de Cid Passos, Ricardo Eysen, Antônio Tarzan, José Américo, Max Saeger, Theocrito Cunha, Luís Campelo e Antônio Pinheiro.
Destaco também os companheiros do presente, Adalberto Coelho, Roberto Dutra, Hildon Oliveira, Ibanez Pereira, Pedro Miguel, Alfredo Bruzdzensky, Eduardo Mateus, Renato Bandeira, Nilton Oliveira, Hamilton Rios, Misael Oliveira, Evandro Motta, Aroldo Cedraz, Nonato Marques e tantos outros com os quais muito aprendi. Por fim, uma palavra de estímulo aos trabalhadores de toda a cadeia produtiva, no campo e nas cidades, aos fazendeiros e empresários do setor, que, com coragem, persistência e muita fibra, souberam enfrentar momentos difíceis e continuam trabalhando duro por um futuro melhor.
História
O sisal é a principal fonte de extração de fibras duras vegetais do mundo. Neste capítulo se descreve como ocorreram a introdução e a dispersão dessa “Agavaceae”, além de um breve histórico dessa cultura no Brasil e nos países do oeste africano, atualmente responsáveis pela quase totalidade da produção de sisal no mundo.Aspectos econômicos e a importância social da cultura do sisal no Brasil são também abordados.
A hisória do sisal no Brasil e no mundo
A expansão do sisal do seu centro de domesticação, localizado na região montanhosa mesoamericana, ocorreu rapidamente após a conquista deste território pelos espanhóis. No início da ocupação do extremo norte do México, os nativos designados para a produção rural carregavam plantas de Agave com o objetivo de preparar o pulque (bebida fermentada proveniente do suco das folhas de Agave salmiana, A. mapisaga, A. atrovirens, A. ferox, A. hookeri e A. americana). Este costume, que ainda persiste na região, foi preponderante para a dispersão do sisal na região norte do continente.
A dispersão do gênero Agave em outros continentes se deu por intermédio de espanhóis e portugueses, que o introduziram como planta ornamental. A. americana foi introduzida nos Açores e nas Ilhas Canárias e A. angustifolia, A. cantala, entre outras, nos continentes asiático e africano.
No século XVIII, A. americana e A. lurida foram estabelecidas na região costeira do Mediterrâneo, porém somente no século XIX é que a dispersão de espécies de Agave atingiu seu apogeu na Europa. Neste período, o cultivo de espécies deste gênero tornou-se popular no continente, sendo utilizado como planta ornamental em jardins públicos e privados. Na porção norte da Europa e devido ao inverno rigoroso, o plantio desta fibrosa era limitado a estufas ou vasos.
Além de planta ornamental, o sisal é a principal fonte de extração de fibras duras vegetais do mundo. No século XIX, em virtude de interesses coloniais, diversas indústrias de fibras de sisal prosperaram na Indonésia e nas Filipinas. Este fenômeno se repetiu no século XX, na região oeste da África (principalmente no Quênia e na Tanzânia) e no Nordeste do Brasil. Atualmente, o Brasil e os países do oeste africano se destacam na produção mundial de sisal e nesses países foram desenvolvidos diversos sistemas de produção, colheita e desfibramento, de acordo com as condições particulares locais.
Saiba mais
A introdução do sisal no Oeste Africano
A introdução do sisal no Brasil
A planta
O sisal (Agave sisalana Perr.) é uma planta de elevada complexidade morfofisiológica, sendo uma monocotiledônea. Apresenta sistema radicular fibroso e em forma de tufo. Possui dois tipos de raízes designadas por transportadoras e alimentadoras, sendo as primeiras responsáveis pela fixação da planta ao solo.
Não tem caule e as folhas são destituídas de pecíolos, podendo chegar a quase dois metros de comprimento. Os estômatos são em criptas e no parênquima esponjoso acham-se embebidas as fibras, mecânicas e as em forma de fitas. As flores são hermafroditas e agrupadas em cachos. Os frutos são cápsulas com três lóculos e as sementes são pretas com seis a sete milímetros na maior dimensão.
Apresenta metabolismo fotossintético do tipo CAM, abrindo os estômatos à noite, para não perder água via transpiração durante o dia e se beneficiar do orvalho. É uma espécie que prefere locais de altitude e possui elevada resistência à seca e ao estresse térmico, apresentando eficiência transpiratória e gastando pouquíssima água para produzir fitomassa – menos de 100g de água/g de fitomassa, contra quase dez vezes mais no caso do algodão herbáceo. Necessita de precipitação pluvial de pelo menos 400mm/ano e temperaturas médias entre 20 e 28°C. Prefere solos com elevados teores de cálcio, que não encharquem facilmente e que tenham boa fertilidade natural.
A planta do sisal
O sisal (Agave sisalana Perr.) pertence à classe das monocotiledôneas, família Agavaceae, subfamília Agavoidea e seu principal produto é a fibra tipo dura, com elevados teores de celulose e lignina, que oferecem inúmeras aplicações.
Trata-se de uma espécie perene, plurianual, porém monocárpica, fenecendo depois do processo de frutificação, que demora alguns anos para ocorrer e se completar. Existem duas espécies no gênero Agave, de importância econômica: A. Sisalana, que tem a Bahia como maior produtor mundial, e a A. fourcroydes, explorada no México sob a denominação de henequém e cuja fibra é utilizada para a fabricação de fios e cordas.
Cadeia produtiva
O Brasil é o principal produtor mundial e exportador da fibra dura do sisal (Agave sisalana Perrine). São descritos, neste capítulo, os principais passos tecnológicos realizados pelos produtores de sisal na região semi-árida do Nordeste brasileiro, enfatizando a importância social e econômica, o preparo do solo, o plantio, os tratos culturais, as doenças, a colheita das folhas, o beneficiamento, a seleção da fibra, sua comercialização e aproveitamento, contemplando o sistema de produção vigente, que se desenvolve com o mínimo de tecnologia mas se constitui em um instrumento de grande dimensão social e econômica para um grande contingente de pessoas que dependem, direta ou indiretamente, desta cultura.
A cadeia produtiva do sisal no Nordeste Brasileiro
O sisal é a principal fibra dura produzida no mundo, correspondendo a aproximadamente 70% da produção comercial de todas as fibras desse tipo. No Brasil, a agaveicultura se concentra em áreas de pequenos produtores, com predomínio do trabalho familiar. Além de ser fonte de renda e emprego para muitos trabalhadores, o sisal fixa o homem no semi-árido nordestino, onde, não raro, é a única alternativa de cultivo com resultados econômicos satisfatórios.
A fibra do sisal, beneficiada ou industrializada, rende cerca de 80 milhões de dólares em divisas para o Brasil, além de gerar mais de meio milhão de empregos na sua cadeia de serviços, que começa com as atividades de manutenção das lavouras, colheita, desfibramento e beneficiamento da fibra e termina com a industrialização e a confecção de artesanato.
Levando-se em consideração o grande número de trabalhadores envolvidos nos processos produtivo e industrial da fibra do sisal, é fundamental a busca de alternativas que viabilizem a competição da fibra com os fios sintéticos, que são os principais responsáveis pelo baixo preço do sisal no mercado internacional, portanto a redução de custos de produção, o aproveitamento dos subprodutos do desfibramento e a maior eficiência no processo de descorticamento são pontos que devem ser enfocados em primeiro plano para tornar a cultura mais atrativa ao produtor rural.
Produção e consumo
O Brasil é hoje o maior produtor e exportador de fibras e manufaturados de sisal, com 58% da produção e 70% da exportação. O cultivo ocorre em 112 municípios do Nordeste, sendo a Bahia o maior produtor nacional.
A cultura é de fundamental importância na economia nordestina porque torna produtivas regiões semi-áridas, sem alternativas econômicas e baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), sendo fator de sobrevivência pois emprega grande volume de mão-de-obra, contribuindo para fixar o homem no campo. Estima-se que a cadeia produtiva emprega cerca de 600 mil pessoas.
De 1995 a 2005, a produção anual de fibra oscilou entre 110 e 140 mil toneladas. Atualmente, cerca de 87% da produção interna destina-se à exportação, gerando divisas anuais da ordem de 80 milhões de dólares. O preço médio dos produtos exportados oscilou fortemente, acarretando queda de divisas. Alterar o desempenho de nossas exportações, elevando a participação de produtos com maior valor agregado, poderá aumentar o preço médio e otimizar as receitas. Em 2004, o excedente da produção nacional foi exportado para 84 países. Apenas três responderam por 60% do volume, sendo prudente evitar essa concentração, buscando novos mercados.
O governo federal tem promovido ações para beneficiar a cadeia produtiva. Além dos financiamentos específicos para atualizar tecnologicamente o setor, tem implementado projetos de desenvolvimento sustentável para gerar emprego, renda e inclusão social, numa atividade ecologicamente correta.
Saiba mais
Produção, consumo interno e exportação
Aproveitamento de residuos
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de fibra seca de sisal foi, no ano de 2004, de 139,7 mil toneladas, representando o percentual de apenas 4% da folha. Por sua vez, os resíduos sólidos do desfibramento obtidos para este quantitativo de fibra, que correspondem a 14% da folha, foram da ordem de 489,0 mil toneladas, quantidade bastante significativa e que merece ser estudada para um aproveitamento melhor.
Esses resíduos se constituem de suco ou seiva vegetal, partículas de tecido parenquimatoso esmagado e de pedaços de folhas e fibras de diferentes tamanhos. No Brasil, esses resíduos são também chamados bagaço e, na maioria das vezes, abandonados no campo, sendo poucos os produtores que os utilizam como adubo ou alimento para ruminantes.
Neste capítulo são abordados aspectos da utilização da mucilagem do sisal na alimentação de ruminantes, como as formas de armazenamento e de arraçoamento para ruminantes e os trabalhos realizados com a mucilagem na alimentação animal no Brasil.
Resíduos do desfibramento para ração animal
Quando utilizados como adubo, os resíduos são distribuídos na própria cultura, nas áreas circunvizinhas ao motor, nos dois lados das fileiras. Além da fertilização, este material servirá para evitar o desenvolvimento de ervas daninhas e aumentar a retenção de umidade pelo solo.
Como alimento, é normal observar bovinos, ovinos e caprinos se alimentarem espontaneamente do monte de resíduo do desfibramento, em estado fresco, sendo que, desta forma, se apresenta com algumas restrições pela presença de grande quantidade de fibra (bucha) e suco (seiva), que pode causar, problemas de ordem sanitária aos animais, como fitocongressões, nefropatias e distúrbios nervosos.
Assim, a Embrapa Algodão desenvolveu um equipamento de concepção simples e de baixo custo (peneira rotativa), para separar a bucha da mucilagem, viabilizando esta última como volumoso para compor uma ração animal. Esta peneira deverá ser instalada próximo à máquina desfibradora para aproveitar todo o resíduo produzido no processo de desfibramento.
O uso do resíduo do sisal (bagaço ou polpa) como volumoso associado a outros ingredientes para alimentação animal é importante, sobretudo, em regiões com carência em oferta de pastagem em determinadas épocas do ano. Esta prática é utilizada no México e em países do continente africano, com significativo ganho de peso dos animais. Entretanto, é de fundamental importância conhecer a composição química e o valor nutritivo do resíduo para ser complementado com outros ingredientes, visando a fornecer aos animais uma ração com maior equilíbrio.
Em exame bromatológico da mucilagem, foram observadas altas concentrações de cinza e cálcio, além de baixos teores de proteína bruta e fósforo, razão pela qual a utilização dos resíduos de sisal como alimento para os ruminantes necessita de conhecimento adequado dos seus componentes.
Para se viabilizar uma ração equilibrada, é conveniente a adição de elementos que estejam ausentes; por exemplo, o bagaço e a polpa são deficientes em nitrogênio, ocorrendo, portanto, necessidade de ser adicionada à uréia como elemento responsável para elevação dos níveis deste mineral e à conversão do nitrogênio não protéico (NNP) em proteína, pela microbiota do rúmen.
Tanto o bagaço quanto a polpa, de forma fresca ou fermentada, apresentam valores de pH que oscilam entre 3,8 e 5,2 e, quimicamente, são compostos por saponina (hecogenina), carboidratos (monossacarídeos, hemicelulose e celulose), pectina, ácidos orgânicos (málico, cítrico e oxálico), clorofila, caroteno e lignina.
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Formas de utilizar a mucilagem como um dos componentes de ração
Novos usos
A utilização de materiais compostos por uma mistura de fibras naturais com plásticos reciclados pós-consumo (lixo) ou virgens é uma alternativa que terá grande demanda no futuro próximo, devido à crescente escassez e alto custo de materiais sintéticos baseados no petróleo como os plásticos. A crescente substituição de plásticos por fibras naturais tem ainda vantagens ecológicas (fibras naturais são recicláveis e renováveis), sociais (criação de empregos rurais), mecânicas (mais leves e mais resistentes que fibras concorrentes como a fibra de vidro) e econômicas (são mais baratas). Painéis interiores de automóveis já são fabricados com estes materiais, mas muito estudo será ainda necessário para determinar a composição ótima para cada aplicação, com diferentes propriedades mecânicas (resistência, segurança ativa e passiva) e químicas.
A imensa variedade e disponibilidade de fibras naturais no Brasil faz deste estudo uma área de investimento muito promissora. As pressões ambientalistas e a crescente competitividade pressionam nossas empresas a fazer mais (quantidade de produtos, qualidade) com menos (matérias-primas, energia, impacto ambiental, etc.). A intensidade de uso dos materiais deve levar em conta o custo de fabricação, utilização, reutilização, reciclagem e disposição final. Em outras palavras, deve-se aumentar a eficiência de conversão dos recursos naturais, prolongar a vida útil dos produtos, considerar sua reciclabilidade e usar tecnologias ambientalmente corretas ao meio ambiente e aos trabalhadores da empresa.
Isso tornará os produtos da empresa competitivos globalmente, pois ao atender a essas demandas descritas anteriormente o custo final do produto será menor. A indústria de compósitos tem a expectativa de ser o mais importante segmento da indústria de plásticos. As perspectivas são imensas para atender a mercados em grandes quantidades, com baixo preço e que ofereçam um balanço favorável de produto, qualidade, desempenho e custo. As fibras naturais são de particular interesse, pois são abundantes, renováveis, apresentam baixa densidade, e ainda são extremamente favoráveis sob a relação resistência-peso (módulo específico), comparadas com outros materiais poliméricos.
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Aplicações de fibras de sisal em matrizes termoplásticas
Pesquisas
Projeto financiado em parceria com o Fundo Comum de Produtos de Base desenvolverá tecnologia de uso de compósitos de sisal-cimento para a indústria da construção civil por meio de testes de laboratório e de pequena escala. Será dada ênfase ao potencial de substituição de fibras de amianto, largamente utilizadas no Brasil e que foram proibidas no fim de 2005. Serão determinadas a viabilidade técnica e a financeira desses compósitos e uma ampla disseminação junto ao setor privado está prevista para assegurar o efetivo uso da tecnologia.
Projeto Sebrae
Sisal em substituição ao amianto nos compósitos de fibro-cimento
O Sebrae construiu nos últimos anos uma consistente tradição em apoiar iniciativas de desenvolvimento local. Trata-se de estimular a construção coletiva de agendas de desenvolvimento em regiões e municípios com escassa integração às correntes mais dinâmicas da economia nacional e que necessitam de um impulso mobilizador para despertar vocações e o fortalecimento do capital social e humano.
Tais iniciativas visam a propiciar oportunidades para uma superação auto-sustentada dos níveis extremos de pobreza por meio da elevação do capital social regional, do fomento produtivo e de melhor acesso a serviços essenciais ao desenvolvimento, como saúde, educação, etc.
Em projetos de desenvolvimento local, o Sebrae oferece seus instrumentos e produtos relacionados ao estímulo à pequena produção em seus mais variados aspectos e desafios, trabalhando prioritariamente em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mantendo-se comprometido com o desafio da inclusão social.
O Projeto Sisal se enquadra neste domínio: superar a tendência de queda de demanda das fibras de sisal manifestada nas últimas décadas, substituídas por fibras sintéticas. Sem reverter essa tendência negativa, as tentativas de desenvolvimento das regiões produtoras do sisal se manifestariam praticamente inúteis.
O projeto e seu contexto
A demanda foi inicialmente apresentada ao Sebrae Nacional pelo Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras) e pelo Sebrae do estado da Paraíba. A meta era obter recursos não reembolsáveis do Fundo Comum de Produtos de Base (CFC) por meio do Grupo Intergovernamental sobre Fibras Duras da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para a implementação de testes laboratoriais e de pequena escala para o estudo da viabilidade técnica e econômico-comercial do uso de sisal em peças de fibrocimento, termoplásticos e geotêxteis.
Após intensas negociações junto ao CFC, obteve-se a aprovação do componente de fibrocimento e ainda a possibilidade de, numa segunda etapa, ser apoiados os testes com geotêxteis. O objetivo geral do projeto será identificar novos usos para a fibra do sisal, estimulando, assim, a recuperação da demanda nacional e internacional.
No Brasil, o sisal é produzido no semi-árido do Nordeste e representa importante fonte de renda monetária para populações rurais em situação de pobreza extrema. Estima-se que o declínio do mercado para a fibra e a conseqüente redução da produção tenha resultado na perda de cerca de 700 mil empregos no Nordeste, o que agravou a já precária situação social dessa população.
Uma das formas mais promissoras de estímulo à demanda pela fibra reside no potencial de seu uso na indústria da construção civil em substituição ao amianto, que terá sua utilização proibida em definitivo no Brasil em fins de 2005. A possibilidade de o sisal ocupar parcela dessa demanda foi avaliada como realista desde que possam ser determinadas com precisão suas diversas características de desempenho e que haja capacidade instalada de prestar assistência ao setor privado, ONGs e comunidades carentes nas áreas de tecnologia de produção e avaliação de potenciais aplicações.
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Projetos de pesquisa e de transferência de tecnologia
Visão mundial
Projetos de Fast-track
CFC/FIGHF/12FT – Aplicações alternativas de sisal e henequém
No seminário que se realizou na sede principal da FAO em Roma, em 13 de dezembro de 2000, uma variedade ampla de mercados para o sisal foram avaliados em razão de seu potencial comercial. As apresentações no seminário focalizaram, entre muitas coisas, na revisão do setor sisaleiro, seu status corrente, problemas, coações e promessas; visão geral dos usos tradicionais; visão geral dos usos alternativos; o sisal como base para geotêxteis; a polpa do sisal e a indústria de papel, uso do sisal na indústria de composição, e as aplicabilidades crescentes em carpetes e coberturas. Os procedimentos do seminário, incluindo os trabalhos produzidos e as apresentações foram publicados no Jornal Técnico CFC.
CFC/FIGHF/23FT – Estudo sobre as vantagens comparativas da fibra do coco, da juta e do sisal em geotêxteis
Este projeto teve como objetivo dar uma compreensão provisional do potencial (técnico e comercial) das diferentes fibras naturais para uso em geotêxteis. Atenção foi dada à avaliação de sua força competitiva vis a vis os materiais sintéticos usados correntemente, assim como à avaliação das vantagens comparativas de uma fibra sobre a outra, considerando as aplicabilidades específicas. Os resultados deste breve estudo foram publicados no Jornal Técnico CFC n° 31.
CFC/FIGHF/26FT – Operacionalização do projeto piloto para a continuidade da extração/processo de produção da fibra do sisal